Na parte 3 de nossa série de textos sobre a Implementação de Plataforma de Interoperabilidade de Informação em Saúde  iremos tratar sobre a parte de Infoestrutura e Infraestrutura.
Como visto anteriormente, a  arquitetura de implantação é elaborada a partir do estabelecimento de plataforma de gestão para implantação e manutenção do RES, e deve ser definido em dois blocos: a infoestrutura e a infraestrutura.

  Infoestrutura de interoperabilidade de informações em saúde (RES)

Para que haja interoperabilidade entre soluções tecnológicas independentes é preciso padronizar dois aspectos da informação. A infoestrutura deve ser capaz de estruturar a informação clinica pelo uso de modelos de informação e conhecimento, para que as soluções tecnológicas sejam capazes de trocar corretamente informações dentro de estruturas mais abrangentes como a representação semântica da informação. As terminologias, ontologias e vocabulários controlados, e.g. SNOMED CT, LOINC, TUSS, identificadas nos modelos de informação permitem que sistemas diferentes possam gerar e interpretar essas informações, sem ambiguidade (validade), e possam reproduzi-los (confiabilidade).

Os artefatos OpenEHR provenientes do trabalho colaborativo de profissionais clínicos e de TI resulta no modelo de informação, que é a representação de informação clínica com vínculos formais de terminologia, construído sob formalismo inicial único para um modelo semântico de representação, definidos necessariamente para gerar especificações computáveis e compartilháveis desse conteúdo pela plataforma computacional de interoperabilidade.

Para a manutenção da infoestrutura deve ser estabelecido governança baseado em processos de colaboração e reutilização de artefatos clínicos em padrão OpenEHR. O CKM (www.openehr.org/ckm) é um exemplo de uso da colaboração para o desenvolvimento e reutilização de artefatos clínicos para interoperabilidade de informações em saúde.

Infraestrutura para interoperabilidade de informações em saúde (RES)

Constituída de uma infraestrutura tecnológica definida na forma de um barramento de serviços, capaz de fornecer uma API que possa ser utilizada para interação por diferentes soluções tecnológicas como: Portais de interação do profissional clinico; portais de interação do cidadão; sistemas de informação (PEPs) legados de hospitais, ambulatórios e clínicas, aplicações mobile; a aplicações de uso secundário como sistemas analíticos e big data utilizados para gestão.

A infraestrutura tecnológica para interoperabilidade deve considerar especificações não funcionais relevantes, destacam-se:

1- Continuidade de Negócio – A continuidade de negócio refere-se à preservação e garantia de operação das funções essenciais da plataforma, inclusive em situações de desastre ou perturbações graves, até o retorno à situação normal de funcionamento. Em períodos de perturbação do funcionamento, os componentes (i.e. infraestrutura, recursos tecnológicos, recursos humanos) requeridos para execução de processos podem ser comprometidos. A arquitetura tecnológica deve ser projetada de modo a mitigar os riscos paralização total de resposta do plataforma, mesmo que seus componentes estejam comprometidos. Tipicamente, a continuidade de negócios requer o planejamento de recuperação de desastres, bem como a definição de uma arquitetura com redundâncias e contingenciamento de infraestrutura, Serviços e aplicações que suportam direta ou indiretamente as funções essenciais de continuidade do negócio.

  1. Confiabilidade e Resiliência – Confiabilidade está relacionada à capacidade de um sistema prover e manter seu funcionamento em circunstâncias de rotina, bem como em circunstâncias hostis e inesperadas, a resiliência define a necessidade de um sistema prover e manter um nível mínimo de Serviço em condições de falha e de perturbação das condições normais de operação.
  2. Flexibilidade de uso – Permitir configurações flexíveis que possibilitem acomodar processos e usuários com necessidades e condições diferentes e favorecer o uso de inovações tecnológicas que permitam disseminar e facilitar o uso e a abrangência das soluções, tais como o uso de dispositivos e aplicações móveis e o emprego de modelos de computação em nuvem.
  3. Agilidade – Permitir intervenções rápidas e assertivas na configuração das soluções, de modo a adaptá-las, assim como permitir a implantação de novas soluções através do agrupamento e compartilhamento de recursos de infraestrutura e da composição de Serviços e soluções existentes. Tais condições são obtidas notadamente com a virtualização do ambiente e com uso de arquiteturas modulares e interoperáveis.
  4. Escalabilidade – Deve permitir disponibilização de recursos computacionais com capacidade dimensionada para atender períodos de pico de demanda, bem como por alocação (e posterior liberação) de recursos computacionais adicionais, notadamente através da replicação de recursos em hardware adicional disponível (escalabilidade horizontal) ou pelo incremento dinâmico da capacidade computacional de um recurso (escalabilidade vertical). Caso a arquitetura da solução permita, é possível obter a escalabilidade dinâmica com assistência de plataforma de virtualização.
  5. Diversidade Tecnológica – Suportar os sistemas atuais e planejados/em desenvolvimento, de modo a potencializar as oportunidades de uniformização de plataformas, ambientes e soluções que visem a maior efetividade na gestão e utilização de recursos e a melhoria direta na integração de diferentes componentes da arquitetura.

    O post de semana que vem (dia 19/04) contará com o último texto da série, onde será abordado os objetivos de uma plataforma de interoperabilidade e os benefícios esperados.

    Para acessar os textos anteriores:

    Parte 1: Introdução ao RES – http://coreconsulting.com.br/implementacao-de-plataforma-de-interoperabilidade-de-informacao-em-saude/
    Parte 2: Arquitetura de Implementação – http://coreconsulting.com.br/arquitetura-de-implantacao-implementacao-de-plataforma-de-interoperabilidade-de-informacao-em-saude/