Implementação de plataforma de interoperabilidade de informação em saúde

A promoção da interoperabilidade entre diferentes sistemas de informação em saúde depende da interação harmonizada e coordenada entre processos de gestão, conhecimento clínico e arquitetura tecnológica.
O texto a seguir apresenta proposta técnica para planejamento, desenvolvimento e implantação de processos de gestão para estabelecimento de plataforma de interoperabilidade de informações em saúde.

A implantação adequada da plataforma de interoperabilidade de informações em saúde deve considerar, preliminarmente, a adoção de 4 diretrizes e 4 ações estratégicas:

Diretrizes

  1. Abordagem por arquitetura de informação, centrada no cidadão (paciente), sustentado pela implantação da plataforma computacional de RES – Registro Eletrônico de Saúde;
  2. Reconhecimento da relevância do consentimento de uso da informação em saúde pelo cidadão (paciente);
  3. Reconhecimento da utilização dos padrões de interoperabilidade estabelecidos na portaria MS 2.073/2011.
  4. Uso de soluções tecnológicas de Tecnologia da Informação e Comunicações como fator impulsionador da melhoria da atenção em saúde aos cidadãos.

Ações estratégicas

  1. Estabelecer os processos de governança de desenvolvimento e manutenção de modelos de informações clínicos em OpenEHR.
  2. Estabelecer e implementar processos computacionais para manutenção do consentimento pelo cidadão (paciente) sobre o acesso às suas informações clinicas para visualização do RES.
  3. Estabelecer os processos de governança do uso de Terminologias clínicas comuns. (uso do SNOMED-CT).
  4. Implantar o Plataforma computacional de interoperabilidade de informações em saúde, para manutenção do registro e repositório dos documentos de RES.

A plataforma de interoperabilidade de informações em saúde parte do princípio de estabelecimento do RES – Registro Eletrônico de Saúde, primeira diretriz, que consiste de um ou mais repositórios que contém informações relevantes sobre a saúde e bem-estar do cidadão. Repositórios podem ser integrados de modo físico ou virtual. O acesso a recuperação do RES, ou seja, à informação clínica de um cidadão, é feito de forma segura e disponível para múltiplos usuários autorizados pelo cidadão, segunda diretriz (consentimento). A informação de saúde está representada de acordo com modelos lógicos padronizados ou consensuais, terceira diretriz. O principal objetivo do Registro Eletrônico de Saúde é oferecer apoio a cuidados de saúde de qualidade, eficazes, seguros e integrados, ao longo de toda a vida do indivíduo ou paciente pelo uso extensivo da tecnologia da informação, diretriz quarta.

Esta conceituação incorpora uma série de aspectos:

  • Os pontos de coleta de dados e os repositórios podem estar distribuídos geograficamente, mas do ponto de vista lógico e de acesso parecem ser apenas um – a menos de velocidade e qualidade da conexão;
  • O RES está voltado para a informação relevante de saúde e não só de doença. O conceito de “relevante” é importante e varia com a especialidade, o ponto de atenção e mesmo com o profissional de saúde;
  • Os dados relevantes de saúde do cidadão podem ser acessados onde ele estiver.
  • A qualidade do RES está ligada ao seu uso em larga escala, nos níveis local, regional, estadual e nacional, nos setores públicos e privados;
  • O RES tem que incorporar aspectos éticos e legais que estabeleçam os direitos de acesso a que tipo de informação e em que circunstâncias;
  • O RES tem que incorporar mecanismos de segurança da informação e, portanto, de autenticação de indivíduos, profissionais e outros usuários;
  • A existência de modelos lógicos padronizados ou consensuais é condição para que os repositórios sejam integrados e que sistemas heterogêneos armazenem dados nos repositórios e os recuperem quando necessário;
  • O uso de terminologias clínicas robustas e flexíveis, e a existência de serviços de terminologia que promovam a interoperabilidade entre os sistemas que as utilizam, é condição essencial para existência de sistemas de RES;
  • Para ser realmente útil o RES deve estar disponível no ponto de cuidado, para capturar a informação no momento em que ela é gerada e, também, para poder oferecer apoio ao profissional de saúde, durante a tomada de decisão;

O conjunto de dados coletados pelo RES forma uma base da qual se pode extrair conhecimento sobre a população e seus cuidados com a saúde, bem como sobre custos e benefícios reais de processos, diretrizes, condutas, tratamentos, medicamentos e suas interações.

São funções essenciais do RES:

  • Criar e manter os registros de saúde de cada indivíduo unificados;
  • Capturar dados demográficos relevantes e a sua história;
  • Criar e manter listas de problemas para cada indivíduo;
  • Armazenar a história clínica de cada indivíduo, incluindo dados sociais, dados relatados pelo paciente e os advindos de fontes ou sistemas externos;
  • Permitir que o indivíduo ou paciente tenha acesso aos seus dados de saúde;
  • Oferecer protocolos e evidências para apoio à tomada de decisão pelo profissional de saúde, na prescrição e no atendimento, incluindo alertas;
  • Permitir a criação e organização de condutas e protocolos clínicos;
  • Permitir a criação e o armazenamento de prescrições, condutas e encaminhamentos, associados a cada paciente;
  • Permitir agregar a informação coletada para fins de extração de conhecimento (uso secundário).

Concluímos então que a implantação adequada de uma plataforma de interoperabilidade depende de diretrizes e ações estratégicas, e que o RES (Registro Eletrônico de Saúde) possui uma série de funções essenciais para o armazenamento e análise de dados de e-saúde.
Na próxima semana iremos descrever como funciona a arquitetura de implantação. 
Fique atento!